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Por Tacio Lima Scott

Nos últimos dias, uma pergunta começou a aparecer com frequência nos grupos de mensagens em Valença. Em meio a correntes, notícias e conversas do cotidiano, alguém perguntou: “Cadê a Vice?” E a pergunta se repetiu. Não uma vez só, mas várias. Como se, de repente, a cidade tivesse esquecido onde procurar.

Lorena Mercês nunca foi de fazer barulho. Vice-prefeita de Valença, mulher, jovem, negra e evangélica, ela construiu sua trajetória com passos firmes e discretos. É formada em Pedagogia, professora por essência, e hoje segue estudando Direito, ampliando aquilo que sempre guiou sua caminhada: o desejo de transformar vidas por meio da educação e da justiça.

Antes mesmo de ocupar qualquer cargo, Lorena já estava presente nas comunidades. Seu nome não nasceu da política. Nasceu do contato direto com as pessoas, do trabalho social, da escuta atenta, da convivência com realidades que muitos preferem não enxergar. Foi esse envolvimento verdadeiro que a levou onde está hoje.

Como vice-prefeita, ela não disputa espaço, não invade funções, não tenta roubar a cena. Respeita o lugar que ocupa e, ao mesmo tempo, constrói o próprio caminho com responsabilidade e consciência. Sua atuação não é feita de gestos performáticos, mas de compromisso contínuo. Sempre serena, sempre firme, sempre presente ainda que nem todos percebam. Talvez o problema esteja justamente aí.

Em um tempo em que muitos associam liderança ao barulho, à exposição constante e à necessidade de aparecer, a postura de Lorena causa estranhamento. Ela não precisa provar quem é todos os dias, porque sua história fala por si. Sua força não está no volume da voz, mas na consistência de suas ações. E então fica a pergunta que não se cala: o que realmente incomoda?

Será sua postura firme e ética? Será sua trajetória construída com base no trabalho social? Ou será o fato de ela ser uma mulher negra ocupando um espaço de poder, onde muitos sempre tentaram mas,  nunca conseguiram ? Vale essa reflexão.

Talvez muitos ainda não conheçam, de fato, a vice-prefeita, nem a mulher por trás do cargo. Mas ela segue. No mesmo ritmo. Sem pressa. Sem alarde. Porque quem constrói com verdade, não precisa correr atrás de visibilidade. Lorena cabe no silêncio. E isso, em um mundo viciado em ruídos, é um ato de coragem e resistência. Mais cedo ou mais tarde, é a própria história que se encarrega de torná-la visível.


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